Fiz uma caiçara pro seu coração,
Nessa terra cinza e cotidiana
Inundada por Nanabozho, o deus da criação.
Envolvi gravetos de ternura e cresceram férteis
Plânctons de espécies verdógenas e apaixonadas.
Naquelas mesmas águas dessa laguna salgada
A mitologia Alonquim misturava-se
à sabedoria indígena,
Rato almiscarado da América boreal com mariscos diversos.
No nosso ninho de Yara e yemanjá, todas as culturas do mundo
Dançavam o nosso amor.
Celebrávamos e cantávamos aquela música:
“Oxalá, Tangara mirim,Ave
Maria cheia de graça.”
Mas por obras malvadas de Anhangá ou por um tufão,
Não se soube de tamanha confusão
Nem de suas causas,
Soube-se só do resultado
No dia de São José.
Fomos Aracati, nos sertões do Ceará, cantarino na chapada do
Araripe
Fomos secas
E plantamos sequidão.
Nos tornamos como dunas de areia e vacas magrelas de fome.
O xote foi se compondo e por fim tudo se acabou.
Nós acabamos e nos acabamos e tudo se acabou.
O sino da igrejinha escondida entre as árvores tocou.
E tudo se acabou.
E teus cabelos verdejantes de sorrisos, são memórias,
pinturas rupestres,
Mas ainda assim
São só memórias.
E o nosso amor, de tão bonito, virou mito cosmogônico
E dizem
Que criou
O mundo.